23 agosto 2016

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Quando os raios das primeiras horas da manhã invadem a janela, tocando cuidadosamente as cortinas e iluminando o quarto, consigo te ver deitada ao meu lado. Deitada de ladinho, abraçando um pouco do lençol, aqui, quietinha, com respiração uniforme e com os cabelos dourados de francesa desgrenhados, espalhados e jogados para cima no travesseiro uma vez que eu sei que você não gosta que fios de cabelo toquem a sua nuca, e sempre que tocam, trato de tirá-los de lá acariciando o teu pescoço até eles sumirem juntarem-se aos outros. Os únicos fios de cabelo que você gosta que rocem na tua nuca são os da minha barba, claro. Você gosta da minha barba, principalmente assim quanto está por fazer. 
Mal você sabe, pequena, que adoro vê-la assim com a expressão calma, tranquila, como se o trânsito que nos espera daqui a duas horas fosse um mar de rosas vermelhas como seus lábios que estão ainda com restinho de batom, sim, aquele batom vermelho que ficou no meu pescoço e na minha blusa de botão cinza.
Eu adoraria levantar e terminar os relatórios dessa semana mas não consigo desviar os olhos das tuas costas nuas, branquinhas, macias, suavemente cobertas pelo lençol rosa floral que você escolheu para "colocar uma cor nesse apartamento" e junto com essa colcha colorida, coloristes a minha vida também. Corro os olhos e as mãos pela pele das suas lindas costas e consigo ver a tatuagem que tu tens na cintura, e que eu acho linda e que você disse que doeu. 
Meus dedos deslizam pelo seu braço de boneca, e, porra! Shhh... Não quero te acordar, isso, adormeça minha pequena, está cedo ainda. Não quero te acordar mesmo tendo ciência de que você vai iluminar o meu dia com aquele sorriso enorme de bom dia pra mim. 
Ah minha linda, gosto de ter você assim comigo, serena e protegida ao alcance dos meus braços que podem te rodear por completo e colam o teu pequeno corpo no meu e, desse jeito, mergulho por entre os caracóis dos seus cabelos como já dizia Caetano. O cheiro do teu cabelo invade a minha alma, é um perfume doce, de flor, só teu. E fico assim abraçado contigo sentido o calor da tua pele, o teu cheirinho, te enchendo de beijos até você virar pra mim, me olhar como se estivesse lendo os meus pensamentos, abrindo aquele sorriso que eu amo e "bom dia, amor".

30 dez 15, 23h35.

21 agosto 2016

Voltei

Voltei com o rabinho entre as pernas mas voltei. Desde 2012 que eu não consigo manter o blog em dia... Cheguei até me esquecer que tenho blog e que, por alguns anos, me dediquei bastante a ele. As coisas têm estado tão diferentes, tenho muita coisa pra contar e são tantas que eu nem sei por onde começar.
De uns dias pra cá eu estava lembrando do meu blog e como eu gostava de vir aqui e postar o que eu quisesse na hora que bem entendesse. Bem, isso era quando eu tinha tempo... A idade chega e com você chegam responsabilidades e muitas confusões internas que você nem sabe como as adquiriu e está tendo que lidar com muitas questões de uma vez só, e o tempo? O tempo tá curto e passando rápido.
Faculdade, trabalho, coração e vontades. Muitas vontades... Vontade de mudar de cidade, de viajar, de mais tatuagens, de cortar o cabelo, porém, são vontades que andam guardadinhas no peito inquietas, agoniadas, doidas para sair.
Voltei pra cá com a cara enfiada num saco de papel, com uma franjinha que já desgostei (oi, sou libra), uma tatuagem que não tem nem um mês e esperando o último semestre do curso começar (amém!).
Tenho muita coisa pra contar, muita coisa bagunçada pra arrumar, muitos buracos pra tapar e coração pra libertar!